sábado, 12 de março de 2011

Sobre desalentos

- Vamos lá! Não fique aí parada.
- Porque não vem conosco?
Foram estas as palavras a despertar-me para o irrefutável.

Não iria. Não iria nunca.
(Ou pelo menos, não naquelas condições.)

Ainda que o frio castigasse-me a pele e o vento me entrecortasse a face, resoluta, ali permaneci. Sem abster-me de minhas tolas certezas...
Acresce que chovia.

Fossem talvez incapazes de compreender meus motivos. Tinham entretanto, plena ciência de minha convicção, por mais que o fato pudesse lhes causar certo enleio. Partiram.

E tornei a ficar só.
Intrépida.

A chuva a embeber-me os sonhos, que quase escorriam entre meus dedos. Mas minhas mãos, ainda que trêmulas, continuavam firmes. E meus sonhos, vivos.

Conheci outras tempestades. Passei por muitos lugares, cativei-me por muitos sorrisos.
Ainda assim, só me encontrei em mim mesma.

Tenho em meus devaneios, minha única salvaguarda.

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